Excertos da Revista de Imprensa




“OmU/Théâtre Impossible”

Digressão na Alemanha entre Janeiro e Junho de 2002.

Uma co-produção entre Colónia e Lisboa, Théatre Impossible / Plano 9.


Se se sente o sentido incomoda

Demência, loucura ou magia teatral fabulosa? Algures entre tudo isto está o segredo do solo monumental de Léopold von Verschuer na peça “OmU/Théâtre Impossible”. (...) Frases sem sentido, letras trituradas, um balbuciar interpretados por um actor que tudo ultrapassa num tormento cómico desopilante.(...) O mecânico de Verschuer é um estranho homem doloroso perseguido, enganado e que se fica constantemente pelo caminho. De uma forma inexplicável foi uma boa noite de teatro. (WAZ, 3 de Junho de 2002).


Enigma com legendas

E o que acontece à máquina de legendagem se o intérprete está por sua conta? Acorda para a realidade. Conta piadas e comenta com observações cáusticas o que se passa sobre cena. Tornase quase simpática. Mas apesar de tudo morre electrocutada e acaba ofuscada pela cena. Isto e o caixote de lixo falante fazem de “OmU/Théâtre Impossible” um evento teatral completamente incompreensível e absolutamente indispensável com um actor principal iminente. (Ruhrnachrichten, 1 de Junho de 2002)


Um festival de experimentações

O Jury também estimou que a peça de estreia de “Théâtre Impossible&Plano9, Lisboa” valia um prémio. “OmU atinge o nível teatral mais alto. Diverte de forma inteligente, o espectador encontrase perante uma maratona cénica com períodos de deserto previstos” justificou o Júri. (Waz, 26 de Abril de 2002)


Theaterzwang começa com acrobacia verbal

Um homem coloca questões – umas sobre as outras. Ao mesmo tempo que imagina as questões de uma forma concreta. Se salta uma pergunta vêmo-lo saltitar. (...) “OmU – versão Original com Legendas. O “O” está sobre cena, o “L” passa em letras luminosas em cima e à direita perto do tecto. O “L” comenta e critica o que se passa em baixo, no “O”. Muito do cómico destes cem minutos de acrobacia verbal fabulosamente inteligente se desenvolve a partir da tensão que se cria entre o texto luminoso e o actor de carne e osso. (Westfäliscche Rundschau, 22 de Abril de 2002)


Tortura divertida, encenação depurada

Nos melhores momentos dada deste meta-monólogo, embora explicitado por gestos, julgaríamos ouvir Heidegger vestido de Schwitters fazer uma crítica de Wittgenstein. (...) Através desta ironia a encenação tenta salvar-se, tal como Münchhausen agarrando-se aos seus próprios cabelos, da lama existencial onde logo depois se deixa afundar. É um suplício delicioso, mas o suplício faz parte de toda verdadeira depuração. (Berliner Zeitung, 12 de Abril de 2002)


Legendagem refractária

Von Verschuer (...) eleva-se durante a peça até atingir um furor orgásmico de eloquência. O autor, pelo seu lado, um uruguaio que vive em Lisboa e escreve em francês – método que lhe permite explorar à distância os campos de associação entre palavras e sons, e de fazer deles um brinquedo da sua força de imaginação. (...) uma experiência excepcionalmente estimulante. (Ticket/splemento do Kölner Stadt-Anzeiger, 21 de Março 2002).


Vertentes da Língua

O actor reivindica ainda por cima a “reintegração do cérebro no teatro”. Para atingir este fim é preciso, aparentemente, começar por jogar golfe com a própria cabeça. (...) Isto não é teatro? É sim senhor. O que o intérprete executa em língua e corpo é surpreendente, a peça é muito divertida. (...) Excepto no fim: heis Leopold sentado, rindo e desesperado ao mesmo tempo. Mergulhado numa luz crepuscular grita com a voz rouca frases para a sala. Uma delas está na base de todas as torsões da língua e da elocução executadas até esse momento: “a essência mente essencialmente” (Stadtrevue Köln, março 2002)


Irmão de Beckett

Na versão alemã (...) Verschuer é um palhaço da arte da palavra. Quando através de partidas extravagantes brinca com o corpo, com as palavras e com a lógica é um insólito irmão de Beckett que vos cumprimenta. É que o autor e encenador Alvaro García de Zúñiga é um louco“chaplinesco” vindo de França e de origem uruguaia. A sua peça “OmU/Théâtre Impossible” não pode ser contada. Quando Verschuer se perde numa salada de palavras as legendas parecem acordar para uma vida autónoma cheia de ironia e perguntar se há “um psiquiatra na sala”. Não é uma peça para amantes de lógica mas antes uma peça em cuja matéria crescem as flores do absurdo. (Neue Osnabrücker Zeitung, 14 de Fevereiro 2002)


Resposta a nenhuma pergunta

É da degradação do sentido na tralha da língua que fala esta peça do autor e encenador Zúñiga, originário do Uruguai. (...) Este maquinista quer realmente contar alguma coisa ao seu público e acredita piamente nas palavras (...), como se, com um conhecimento da língua à Arno Schmidt, as tivesse mergulhado na confusão mais completa. (...) É uma proeza verdadeiramente impressionante a forma como Verschuer interpreta estas cataratas de palavras, as sublinha com gestos cheios de imaginação ou as recarrega com sentidos completamente novos. (Kölnische Rundschau, 2 de Fevereiro de 2002)


Montanha de ingredientes

Heis que podemos imaginar o que é andar sobre o fio de uma lâmina. (...) À pergunta se esta peçaé representável Léopold von Verschuer responde com toda a simplicidade e virtuosismo. Só podemos corroborar, mesmo se as legendas por vezes insinuam o contrário. (...) É esta a difículdade da peça de Zúñiga: empilha uma diversidade de ingredientes numa montanha de incertezas com as quais o espectáculo no entanto tece um tecido sólido: reverberante de humor sobre a tragédia humana. (Kölner Stadt-Anzeiger, 1º de Fevereiro 2002)


Beckett ou como mastigar um “B”

Um orvalho de 250kg de cubos de gelo que escorre de uma vitrina gradeada suspensa ao tecto de uma cena. Debaixo dela um maquinista solitário está sentado e conduz uma conversa com ressonâncias portuguesas. Sentido e Ser, os grandes temas da filosofia e do teatro dominam o monólogo do maquinista – interpretado por Léopold von Verschuer de forma rica e multifacetada. (...) A encenação de Alvaro García de Zúñiga convence pela interacção entre uma máquina de legendagem animada e uma interpretação bem conseguida.. (NRZ, 28 de Janeiro 2002)


“Quando coloco uma pergunta, onde é que a coloco?”

Um palhaço que escorrega em nada mais que uma consoante sonora a mais ou a menos numa palavra, mas isto em permanência. (...) Quem é esse homem, o espectador gostaria tanto de o saber como ele aparentemente. E depois esquecemo-nos desta pergunta durante as perguntas que se colocam no caminho e que Léopold von Verschuer persegue, explora. Esquecemo-nos talvez também porque o seu rasto é apagado pelo virtuosismo verbal do actor e pela precisão da sua extraordinária linguagem corporal, linguagem em relação à qual, a do teatro com os seus actores de comédia, parece muitas vezes extraordinariamente ordinária. O drama deste“trabalhador do teatro falante” não acontece senão dentro das línguas, e é o resultado delas, é que há muito tempo que o drama teve lugar. Evocá-lo e fazê-lo viver como tal é a tarefa do espectador para a qual é convidado pelo actor Verschuer que lhe dá todas as possibilidades renunciando às outras, às que se apresentam e se representam, às que expõem e por isso mesmo dissimulam. (Kulturserver-nrw, 25 de Janeiro de 2002)


Palavras ditas em itálico

Já alguma vez experimentou dizer uma palavra em itálico? Já alguma vez se debruçou sobre a pergunta “porquê colocar uma perguntar se podemos continuar a transportá-la” ? E que as máquinas têm o direito de se distrair, já o sabia? Resposta negativa a todas estas perguntas? Então deve sem demora reservar bilhetes para a peça “OmU/Théâtre Impossible” de Alvaro García de Zúñiga. (...) É uma refutação grandiosa de toda validade e suposta significação das palavras que Léopold von Verschuer celebra com uma intensidade e uma comicidade impressionantes. (Westdetsche Zeitung, 25 de Janeiro 2002)



OmU/Théâtre Impossible obteve durante o Festival “Theaterzwang” 2002 em Dortmund o prémio da Fundação Kunst und Kultur do Land do Reno Norte-Vestfália e do Secretariado da Culura do Land do Reno Norte-Vestfália.



Entrevista por Maria João Seixas na revista Pública, 6 de janeiro de 2002.

“Falta-me ouvi-lo em curva sobre o seu violino, mas o que dele já vi, em teatro e cinema, devolveu-me a sua imagem ao espelho envolta numa aura de bizarria, que só um singular talento pode sustentar. Ao ver o excelente documentário que acaba de realizar sobre a Sala das Batalhas do Palácio Fronteira, percebi que a consistência dos seus saberes e da sua sensiblidade, sem trair o fraseado lúdico que tão bem cultiva, são dominantes do seu retrato.”



“O Teatro é puro cinema” – Produção Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa Abril 1999



As loucuras e os dilemas que atacam os actores

O sentido dos sobressaltos

Os verdadeiros “culpados” deste delicioso imbróglio aparecem todos na ficha técnica do “filme”, e dão pelo nome de Alvaro García de Zúñiga (texto e encenação), Dóris Graça Dias (tradução), João Louro (cenários e figurinos), João Tabarra (luz vídeos e coreografia), Miguel Azguime (música).

Uma comédia escrita por um homem que confessa ter-se dedicado à literatura “porque a anomia estética contemporânea permite a alguns iluminados encontrarem nesses sobressaltos escritos um sentido. Às vezes, até vários”! Por tudo isto e mais algumas coisas que não se contam aqui, vale a pena ver, no Teatro Nacional de D. Maria II, em Lisboa, até 18 de Abril, como “O Teatro é Puro Cinema”. Paula Lobo, Jornal de Notícias, 19 de Março de 1999.



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